O acesso às patas dos potros é essencial para o bom manejo durante o resto da vida do animal. O casqueamento e ferrageamento, bem como limpeza geral e curativo de possíveis ferimentos nos membros são situações corriqueiras que podem se tornar um grande problema se o cavalo não for condicionado previamente à aceitar o manuseio das patas. Geralmente inicio este trabalho já nos primeiros contatos com os potros, durante a dessensibilização.  

O vídeo a seguir demonstra quatro exercícios que, de maneira segura para o operador, condicionam o cavalo a aceitar o toque nas patas.

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A égua de cria exerce um papel fundamental na formação do comportamento do potro. Além do componente genético que influencia o temperamento dos descendentes, a mãe atua também com contato direto no período de maior aprendizado do potro.

Há um grande número de comportamentos que o potro passa a apresentar por imitar a mãe. A égua tranquiliza o potro frente a situações inéditas para ele, mas que são conhecidas por ela. Por isso, a manipulação das éguas tem efeitos benéficos a curto, médio e longo prazo sobre a criação e a intensidade das relações entre o homem e o potro. Estes efeitos são percebidos no manejo do desmame, no sobreano e posteriormente na doma, com menor demonstração de medo e maior confiança por parte do potro.

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Com o início da temporada de nascimentos dos animais criados em sistema extensivo, resolvi abordar um tema corriqueiro e que ainda causa muitas dúvidas nos criadores e proprietários: o imprinting! Afinal, é benéfico ou não? Fazer ou não fazer?

Amplamente difundido no meio equestre, o imprinting foi descrito por Konrad Lorens no ano de 1935. Definido como “o fenômeno através do qual uma experiência precoce dos filhotes determina seu comportamento social”, o imprinting foi descrito inicialmente em filhotes de patos! Somente na década de 90 o Dr. Robert Miller promoveu a técnica do imprinting adaptada aos cavalos com o intuito de apresentar precocemente ao potro alguns procedimentos pelos quais será submetido em algum momento da vida adulta.

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O primeiro banho de um cavalo é algo novo e causa estranhamento. Embora os animais estejam acostumados com a chuva, a pressão da água e os locais a serem molhados no banho são diferentes, e isso é motivo de medo para a maioria dos cavalos.

Eu começo com os banhos já na primeira etapa da doma, quando o potro já conhece o cabresto, com a finalidade de auxiliar na dessensibilização, chegando aos locais sensíveis primeiro com a água e depois com a mão. A vantagem do banho nesta etapa é que ajuda a criar um vínculo de amizade e confiança, uma vez que a massagem com as mãos e o shampoo acabam por ser agradáveis aos cavalos, que relaxam a aproveitam o momento.

Pense em uma bola azul... Será que a bola azul que tu idealizas é igual a que eu idealizo? Da mesma forma, se pedirmos a dois amigos que desenhem em um papel uma bola azul, será que o farão da mesma forma? Tenho convicção que não.

Um pessoa, leiga em um assunto, relatará uma bola azul como ela a percebe e, talvez, se for muito atenta, poderá indicar algumas pequenas características. Já um profissional, para um diagnostico ou palpite qualquer, precisará saber efetivamente a dimensão e o peso da bola, bem como de que material é feita, qual o tom do azul, com que tinta foi pintada, o que há dentro da bola, se está cheia, murcha... ou quão cheia está... Simétrica? Furada? Ovalada? Inteiramente azul ou apenas predomina o azul? Quantas mais perguntas podemos fazer a respeito de uma simples bola azul?

A etologia equina, o estudo científico do comportamento dos cavalos, tem muitos aspectos relevantes, que devem ser levados em conta quando se trata de entender atitudes, raciocínio, instintos e modo de vida dos animais. A idade é um importante fator para a compreensão do comportamento equino. Cada faixa etária dos cavalos apresenta características comportamentais próprias. Para melhor compreensão destas, divido os equinos em: potrilhos, potros, fêmeas adultas e machos adultos.

Sabe-se, há muito, que o pensamento dos cavalos é associativo. Essa informação, embora pareça simples, traz consigo uma série de consequências em nossas relações com esta espécie.

Ao manejarmos um cavalo, tudo se baseia em ação e reação. Todas as reações que o cavalo apresentar, sejam elas boas ou ruins, desejáveis ou indesejáveis, serão fruto da associação que o equino faz de uma ação nossa.

Sendo este um comportamento característico desta espécie, por que não utilizarmos a nosso favor? Ou ainda, por que não utilizarmos em favor de uma boa relação com os cavalos?

Quem convive com cavalos certamente já observou alguns comportamentos aberrantes desta espécie, especialmente quando submetidos a sistemas de confinamento como estábulos.

Animais que "dançam" ou caminham sem parar na baia e até mesmo no pendurico, cavalos que passam grande parte do tempo mordendo e roendo as partes de madeira da cocheira (e cochos), equinos que praticam coprofagia (comem suas fezes) e animais que desenvolvem aerofagia (engolem ar) são os exemplos mais comuns de uma classe de distúrbios denominada Comportamento Estereotipado.

Que a espécie equina apresenta os 5 sentidos (olfato, audição, visão, tato e paladar) muito mais desenvolvidos em relação à especie humana já está provado cientificamente. O que vem se estudando, agora, são alguns outros sentidos, ainda não dominados e compreendidos pelos humanos, mas que os cavalos (animais em geral) controlariam e perceberiam normalmente.

Quero abordar aqui, especificamente, sentidos que envolvem a energia e o pensamento! Embora inicialmente pareça extravagante ou excêntrico, a força do pensamento e a energia corporal ajudam muito na boa comunicação entre o homem e o cavalo.

De onde vem o comportamento equino? Como pensam os cavalos? Como reagem às situações cotidianas? Estas são algumas perguntas que todos nós, amantes dos cavalos, deveríamos fazer na tentativa de compreender melhor esta espécie maravilhosa. Minha intenção aqui é, resumidamente, indicar alguns pontos cientificamente conhecidos que nos indiquem o caminho para uma melhor relação com os cavalos, baseados em sua natureza.

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