A etologia equina, o estudo científico do comportamento dos cavalos, tem muitos aspectos relevantes, que devem ser levados em conta quando se trata de entender atitudes, raciocínio, instintos e modo de vida dos animais. A idade é um importante fator para a compreensão do comportamento equino. Cada faixa etária dos cavalos apresenta características comportamentais próprias. Para melhor compreensão destas, divido os equinos em: potrilhos, potros, fêmeas adultas e machos adultos.

A primeira classe, os chamados potrilhos, compreende os animais recém-nascidos até os primeiros meses de vida. Esta é a fase onde ocorre cerca de 70% do aprendizado do equinos, e uma característica marcante desta etapa é a curiosidade. Neste período, o tempo é investido no conhecimento do mundo ao redor. A curiosidade dos cavalos nessa idade é importante para que aprendam intrinsecamente sobre os perigos do mundo que os rodeia, sempre amparados pela segurança que a proximidade da mãe proporciona.

Também se ocupam com brincadeiras entre indivíduos desta idade, que servem tanto para aprendizado como para posicionamento na hierarquia. As mamadas neste período são mais rápidas, porém ocorrem com maior frequência. Potrilhos já mordiscam o pasto, porém sem ingeri-lo. Acredito que o façam copiando o comportamento da mãe (é o aprendizado).

A seguinte fase, onde chamo de potros, se estende a partir dos primeiros meses de vida até os 2 ou 3 anos de idade, onde ocorre a maturidade sexual e anatômica dos equinos. Nesta etapa, se acentuam as disputas hierarquicas, ocorre o desmame e o início da alimentação herbívora. No final desta fase, os potros machos são expulsos da manada pelo garanhão e formam grupos de solteiros. São membros destes grupos que desafiam os garanhões de outras manadas. Este comportamento é essencial para evitar a consanguinidade na manada.

As fêmeas adultas pertencem a uma manada convencional, onde existe uma égua alfa (que geralmente é a égua mais velha e mais experiente) e um garanhão (responsável pela reprodução). Essas éguas se relacionam por afinidade em pequenos grupos dentro da manada.A hierarquia é importante porque as éguas de posição mais baixa ajudam a cuidar dos potrilhos das éguas de melhor posição. Isso significa que quanto mais bem posicionada na hierarquia a égua estiver, melhor cuidado será seu potrilho, tendo assim, mais chances de sobrevivência. A égua alfa é responsável pelos rumos da manada, bem como em estabelecer a ordem.

Os machos adultos geralmente estabelecem manadas de machos solteiros. São expulsos da manada das mães logo que completam a maturidade sexual. Estes grupos são responsáveis pela troca frequente dos garanhões das manadas de éguas, onde um garanhão permanece dominante o tempo necessário para que suas primeiras descendentes iniciem o ciclo reprodutivo.

Mas como podemos utilizar essas características a nosso favor no manejo destes animais? Que importância tem essas informações para o horsemanship? Se entendermos como agem os hormônios com relação ao instinto dos cavalos em cada fase da vida, conseguimos prever atitudes e reações, bem como induzir a condutas desejáveis!

Utilizando a curiosidade dos potros e potrilhos para uma aproximação mais natural. Experimente sentar em meio aos potros e ficar parado. Em 5 minutos terás os animais ao teu redor. Então para que correr atrás e forçar tal aproximação? Devemos lembrar também que tudo que for apresentado aos potros, bem como situações vividas pela primeira vez, necessariamente vão gerar medo e curiosidade, nesta ordem. Compreender o medo, respeitá-lo e demonstrar de forma calma e tranquila que ta experiência é boa é a melhor forma de conseguir um aprendizado eficiente e evitar traumas.

Para éguas adultas, devemos apresentar o comportamento de égua alfa, tomando as rédeas da "manada"! Uma égua confiará e será leal a sua égua alfa, desta maneira teremos as fêmeas mais calmas e mais receptivas ao contato.

Com machos inteiros o contato deve ser sempre atento, pois é um comportamento natural destes animais o enfrentamento para dominância. O medo e a falta de confiança não são comportamentos dos líderes. Sendo assim, o segredo está em passar confiança, solicitar respeito e não demonstrar medo e insegurança. Quando demonstramos fraquezas, é instintivo aos machos inteiros a tentativa do domínio. 

Ao levarmos em conta essas características naturais do comportamento equino no manejo dos animais, conseguimos otimizar o tempo de manejo, com melhor qualidade da relação para homem e animal e, principalmente, com redução de riscos para ambos as partes.

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