imprinting-thiago-pes-comportamento-equino-horsemanship-potro-manejo-precoce

Com o início da temporada de nascimentos dos animais criados em sistema extensivo, resolvi abordar um tema corriqueiro e que ainda causa muitas dúvidas nos criadores e proprietários: o imprinting! Afinal, é benéfico ou não? Fazer ou não fazer?

Amplamente difundido no meio equestre, o imprinting foi descrito por Konrad Lorens no ano de 1935. Definido como “o fenômeno através do qual uma experiência precoce dos filhotes determina seu comportamento social”, o imprinting foi descrito inicialmente em filhotes de patos! Somente na década de 90 o Dr. Robert Miller promoveu a técnica do imprinting adaptada aos cavalos com o intuito de apresentar precocemente ao potro alguns procedimentos pelos quais será submetido em algum momento da vida adulta.

As constantes adaptações e diferentes interpretações sobre os princípios etológicos do imprinting e suas aplicações resultaram em uma técnica de manejo precoce de neonatos bastante invasiva e, quando mal conduzida, prejudicial à saúde física e psicoemocional dos potros recém-nascidos.
Boas técnicas de contenção passam segurança ao potro e tem como consequência uma tranquilização e relaxamento momentâneos, que permitem um manejo sanitário e imunológico correto, como a cura do umbigo e a garantia da ingestão do colostro pelo recém-nascido, fato que é essencial para a viabilidade do potro.
Porém o manejo equivocado nessa idade pode induzir ao fenômeno chamado "impotência aprendida”, situação em que todas as respostas instrumentais ou tentativas para responder a um estímulo negativo são inúteis para eliminá-lo. Em outras palavras, nessa situação o potro permanece imóvel por total incapacidade de reação, deixando traumas de diversos graus e que podem permanecer por bastante tempo na vida desses animais.
Diversos pesquisadores defendem que os efeitos do imprinting são temporários e que não permanecem até o momento da doma. Alguns estudos demonstraram que a socialização precoce do potro pode alterar negativamente o vínculo deste com a égua, prejudicando assim seu desenvolvimento.
Salvo situações de patologia onde a intervenção clinica é recomendada, defendo o contato mínimo com o recém-nascido. Acredito que a socialização deve ser realizada de forma progressiva, respeitando o amadurecimento do potro, de maneira constante durante seu desenvolvimento. Conter o potro perto da égua e agilizar a manipulação são boas medidas para minimizar a possibilidade de danos comportamentais.
Sempre que se faz necessária uma intervenção clínica ou de manejo sanitário - como vacinação e desverminação – procuro tocar todo o potro durante a contenção para dessensibilizá-lo. Até o desmame as sessões de trabalho devem ser curtas e lúdicas, simples e efetivas. 5 a 10 minutos por sessão são suficientes. A frequência depende da necessidade, variando de diária a semanal.
A boa saúde física e emocional dos potros é essencial para seu desenvolvimento. Potros que chegam à doma com traumas por mau manejo são muito mais complicados do que potros que chegam à essa etapa sem nenhum contato com humanos! Lembrem-se, manejo de potros requer cuidado e conhecimento técnico!

Share

Assine nossa newsletter

Minhas Redes Sociais

iconmonstr-facebook-3-icon-48 iconmonstr-youtube-3-icon-48